Estratégia inusitada: rãs fingem estar mortas para escapar de parceiros indesejados

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Fêmeas da espécie de rã europeia Rana temporaria adotam estratégias criativas para evitar acasalamentos indesejados, incluindo fingir a própria morte. O comportamento foi documentado por cientistas que estudam os desafios enfrentados por essas rãs em seu intenso período reprodutivo, conhecido como “explosivo”.

Durante essa época, vários machos competem por uma única fêmea, formando o que é chamado de “bola de acasalamento”. Essa dinâmica, frequentemente desproporcional em número — com seis ou mais machos para cada fêmea —, pode ser perigosa. “Em alguns casos, as fêmeas podem morrer presas nessas bolas de acasalamento”, explicou Carolin Dittrich, pesquisadora do Museu de História Natural de Berlim.

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Os cientistas identificaram três táticas principais utilizadas pelas fêmeas para escapar: rolar, emitir sons semelhantes aos de machos e permanecer imóveis como se estivessem mortas. Em experimentos realizados em laboratório, 83% das fêmeas que foram agarradas por machos tentaram rolar, estratégia que força os machos a soltar a fêmea para evitar se afogar.

Além disso, quase metade das fêmeas montadas emitiu sons que imitam chamados de liberação dos machos, usados para afastar concorrentes. Aproximadamente 33% das fêmeas permaneceram completamente imóveis, com os membros esticados, por cerca de dois minutos.

Embora não se saiba se o comportamento de fingir a morte é consciente ou uma resposta automática ao estresse, Dittrich destaca que ele é mais comum em fêmeas menores, geralmente mais jovens. Essas rãs tendem a ser mais eficazes em escapar de parceiros do que as maiores, que utilizam menos as táticas observadas.

Esse comportamento, embora raro, não é exclusivo da espécie. Estratégias semelhantes já foram registradas em outros animais, como libélulas, aranhas e algumas espécies de tritões.

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O estudo, publicado no periódico Royal Society Open Science, também levanta preocupações sobre a conservação das rãs europeias. Apesar de serem mais comuns do que outras espécies, a população tem diminuído nos últimos 17 anos devido a condições climáticas adversas, como seca e falta de chuvas, ressaltou Dittrich. Compreender esses comportamentos pode ser essencial para apoiar esforços de preservação no futuro.

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