Grupos conservadores nos Estados Unidos estão ampliando esforços para restringir o acesso a livros em bibliotecas escolares, promovendo uma onda de projetos de lei que buscam censurar conteúdos considerados inadequados. A iniciativa tem gerado forte polêmica, especialmente por afetar obras que abordam temas como raça e diversidade LGBTQ+.
Entre os títulos frequentemente visados estão clássicos da literatura, como “A Cor Púrpura” e “Matadouro Cinco”. Os defensores da medida argumentam que a restrição é necessária para proteger crianças de conteúdos que consideram impróprios. Por outro lado, críticos denunciam a iniciativa como uma tentativa de impor visões conservadoras e cercear o direito à informação.
++ Ex-parceiro de Pablo Escobar é preso ao voltar para a Colômbia após décadas
Dados da American Library Association revelam que pelo menos 112 propostas de lei estaduais estão em tramitação com o objetivo de expandir a definição de material considerado obsceno ou prejudicial a menores. Além disso, essas propostas podem limitar a autonomia dos profissionais responsáveis pela curadoria dos acervos escolares. Algumas dessas leis já foram contestadas na Justiça e consideradas inconstitucionais, mas outras seguem avançando nos legislativos estaduais.
A batalha sobre os livros nas escolas reflete um capítulo mais amplo da disputa ideológica que domina o cenário político norte-americano. O número de títulos alvo de tentativas de proibição disparou nos últimos anos, saltando de 183 em 2014 para mais de 4.200 em 2023, segundo a American Library Association.
++ Bomba é encontrada em terminal de ônibus de Curitiba
Deborah Caldwell-Stone, diretora do escritório de liberdade intelectual da associação, aponta que grupos organizados, como o Moms for Liberty, têm coordenado ações para remover livros que consideram inadequados, forçando escolas e bibliotecas públicas a se alinharem com suas crenças políticas e religiosas. A questão deve seguir gerando embates tanto no âmbito legislativo quanto nos tribunais.