Um robô de patrulha recém-adquirido pela prefeitura de Taipei, capital de Taiwan, virou alvo de polêmica após a revelação de que foi fabricado pela Unitree, empresa chinesa com vínculos com o Exército Popular de Libertação da China. O equipamento, apresentado como “novo parceiro de patrulha” pelo vice-prefeito Hammer Lee, possui câmeras panorâmicas de 360 graus, mapeamento preciso e capacidade de registrar dados em tempo real.
A compra, porém, gerou reação imediata. A vereadora de oposição Chien Shu-pei classificou a decisão como um risco à segurança nacional, afirmando que trazer a tecnologia chinesa para as ruas de Taipei equivale a inserir um “cavalo de Troia” na rotina dos cidadãos. Ela destacou que os robôs da Unitree são considerados tecnologia de uso “duplo” — civil e militar — e já foram empregados em exibições oficiais na China.
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Em resposta, a prefeitura esclareceu que apenas uma unidade foi adquirida, por meio de uma empresa terceirizada, e que o sistema de câmeras foi desenvolvido por uma companhia taiwanesa. O governo municipal afirmou ainda que questões de segurança serão reavaliadas antes de qualquer expansão do projeto.
O debate acontece em meio ao aumento das tensões entre Taiwan e a China, que intensificou nos últimos anos suas ações militares, cibernéticas e de espionagem contra a ilha, considerada por Pequim parte de seu território. Analistas locais alertam que informações coletadas pelo robô podem ter alto valor estratégico para o exército chinês.
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A controvérsia levantou críticas nas redes sociais e entre especialistas militares, que defendem a priorização de alternativas desenvolvidas em Taiwan para evitar riscos à segurança e ao sigilo de dados. O prefeito Chiang Wan-an afirmou que o caso será analisado em conjunto com o governo central.