O ator Val Kilmer, que faleceu nesta terça-feira, 1º, devido a uma pneumonia, viveu uma longa batalha contra o câncer de garganta, mas resistiu a procurar tratamento médico por anos. O motivo estava em sua fé na Ciência Cristã, doutrina religiosa que prega a cura por meio da oração em vez de procedimentos médicos tradicionais.
Kilmer manteve seu diagnóstico em segredo e chegou a esconder o inchaço no pescoço com roupas volumosas. Segundo familiares, ele recusava insistentemente qualquer intervenção médica e afastava aqueles que tentavam convencê-lo a buscar tratamento. Foi apenas em 2015, após sofrer um sangramento grave, que o ator aceitou a necessidade de cuidados hospitalares.
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A Ciência Cristã, fundada em 1879 nos Estados Unidos por Mary Baker Eddy, tem como princípio a crença de que doenças são apenas estados ilusórios da mente e que a verdadeira cura acontece pelo alinhamento espiritual com Deus. Durante décadas, a rejeição a tratamentos médicos gerou polêmicas e até processos judiciais contra seguidores que se recusaram a levar parentes doentes a hospitais.
Nos últimos anos, no entanto, a doutrina tem suavizado sua postura, incentivando os fiéis a combinarem a fé com cuidados médicos quando necessário. A mudança visa evitar o declínio do número de seguidores, que já caiu para menos de 100 mil fiéis no mundo.
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Kilmer, que admirava profundamente a fundadora da religião, chegou a escrever um roteiro sobre sua vida e planejava produzir um filme sobre ela. No Brasil, a Ciência Cristã mantém congregações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, onde busca expandir sua influência conciliando espiritualidade com práticas modernas de saúde.