Um estudo científico revelou que a incapacidade de lembrar eventos específicos dos primeiros anos de vida é conhecida como “amnésia infantil”, e foram trazidas novas evidências do motivo pelo qual costumamos não lembrar da nossa fase enquanto bebês.
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“Quando os bebês viram algo apenas uma vez antes, esperamos que eles olhem mais quando o virem novamente”, explica Nick Turk-Browne, professor de psicologia na Faculdade de Artes e Ciências de Yale e autor sênior do estudo. “Então, nesta tarefa, se um bebê olha mais para a imagem vista anteriormente do que para a nova ao lado dela, isso pode ser interpretado como o bebê reconhecendo-a como familiar.”
Os pesquisadores mediram a atividade no hipocampo — área do cérebro responsável por reter as memórias — dos bebês enquanto visualizavam as imagens. Os cientistas avaliaram se essa atividade estava relacionada à força das memórias de uma criança, e descobriram que quanto maior a atividade no hipocampo quando a criança estava olhando para uma nova imagem, mais tempo a criança olhava para ela quando reaparecia mais tarde.
O trabalho apontou que as memórias episódicas podem ser codificadas pelo hipocampo mais cedo do que se pensava, antes mesmo das primeiras memórias que podemos relatar como adultos. Uma das teorias dos pesquisadores é que essas memórias podem não ser armazenadas a longo prazo. Outra possibilidade é de que as memórias continuam “armazenadas” por muito tempo depois da codificação e não conseguimos acessá-las.
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“Estamos trabalhando para rastrear a durabilidade das memórias hipocampais ao longo da infância e até mesmo começando a entreter a possibilidade radical, quase de ficção científica, de que elas podem perdurar de alguma forma na idade adulta, apesar de serem inacessíveis”, afirma o autor.