
Há cinquenta anos, viajar de Londres a Nova York em apenas três horas era uma realidade para os passageiros do Concorde, o icônico avião supersônico desenvolvido em parceria pela França e pelo Reino Unido. Com velocidade de até 2.170 km/h e altitude superior a 18 mil metros, o jato oferecia uma experiência de voo única, permitindo até mesmo ver a curvatura da Terra.
O Concorde teve seu primeiro voo de teste em 1969 e entrou em operação comercial em 1976, com rotas regulares, inclusive para o Brasil, onde pousou pela primeira vez no Rio de Janeiro. Embora pudesse transportar até 148 passageiros, a aeronave foi configurada com apenas 100 assentos, priorizando o conforto. A bordo, o luxo era evidente: champanhe, caviar e uma viagem que cruzava o Atlântico em tempo recorde. Nos anos 1990, uma passagem custava cerca de US$ 12 mil, valor que hoje equivaleria a aproximadamente R$ 123 mil.
Apesar de sua sofisticação e velocidade, o Concorde enfrentava desafios significativos. Seu consumo de combustível era altíssimo — cerca de 26,5 mil litros por voo — e o estrondo causado pela quebra da barreira do som era altamente incômodo para quem estava em terra. No entanto, o golpe mais duro veio em 2000, quando um acidente fatal com um Concorde da Air France matou 113 pessoas, levando à suspensão temporária das operações.
O último voo do Concorde ocorreu em 24 de outubro de 2003, encerrando uma era de glamour e inovação na aviação comercial. Embora sua retirada tenha sido motivada por questões econômicas, ambientais e de segurança, o Concorde permanece como um símbolo da ambição tecnológica e do desejo humano de voar mais rápido que o som.