Cientistas encontram filhote de tigre dente-de-sabre de 35 mil anos mumificado em gelo na Sibéria

Data:

Em uma descoberta extraordinária, cientistas da Academia de Ciências da Rússia anunciaram a recuperação do corpo de um tigre-dente-de-sabre mumificado, preservado no gelo ártico da Sibéria há cerca de 35 mil anos. Este é o primeiro registro de um espécime completo do gênero Homotherium latidens, proporcionando uma visão sem precedentes sobre a aparência e a biologia desses felinos extintos.

O filhote, encontrado em 2020 próximo ao rio Badyarikha, na província da Iacútia, estava incrivelmente bem preservado. Além disso, seu corpo ainda retém cabeça, torso, membros e pelagem intactos, características que, por sua vez, tornam esta descoberta um marco para a paleontologia. Após três anos de análises detalhadas, finalmente, os pesquisadores publicaram os resultados no periódico Scientific Reports.

++ Adolescente de 13 anos encontra dente do maior dinossauro da história em praia

Com apenas três semanas de vida no momento de sua morte, o filhote ainda não havia desenvolvido os famosos caninos alongados que caracterizam os tigres-dentes-de-sabre. A pesquisa, por outro lado, revelou diferenças significativas em relação a outros felinos, como os leões. Entre as peculiaridades, destacam-se:

  • Focinho de formato incomum e uma grande abertura bucal.
  • Orelhas pequenas e pelagem escura e espessa, adaptadas ao clima frio.
  • Membros dianteiros alongados e um pescoço musculoso, reforçando as adaptações ao ambiente gelado.

A Espécie Homotherium latidens

Os tigres-dentes-de-sabre, apesar do nome, não são diretamente relacionados aos tigres modernos. O gênero Homotherium, ao qual pertenciam, floresceu durante a última Era do Gelo, ocupando áreas da Eurásia, África e Américas. Cada espécie apresentava adaptações específicas ao habitat onde vivia. Os H. latidens, por exemplo, habitaram a Eurásia até aproximadamente 10 mil anos atrás, quando o período glacial chegou ao fim.

A múmia encontrada na Sibéria oferece informações valiosas sobre os felinos eurasiáticos, que até agora permaneciam menos estudados do que os norte-americanos (H. serum) ou africanos (H. problematicum e H. africanum). O estado de preservação excepcional do filhote permite não apenas reconstituir sua aparência, mas também entender melhor as características anatômicas e comportamentais dessa espécie.

O Contexto do Permafrost Siberiano

Cientistas adicionaram a descoberta do filhote de Homotherium a uma lista crescente de achados impressionantes no permafrost da Sibéria. Nos últimos anos, eles desenterraram carcaças congeladas de mamutes-lanosos, rinocerontes-lanosos, lobos e leões-da-caverna. Além disso, os pesquisadores consideram essa região, rica em fósseis preservados pelo gelo, uma verdadeira mina de ouro para estudos sobre a megafauna da Era do Gelo.

++ Cientistas descobrem água-viva capaz de “reverter o envelhecimento”

Como seres humanos primitivos, incluindo neandertais e denisovanos, habitaram essa área no mesmo período, os cientistas acreditam que, no futuro, podem encontrar corpos humanos preservados em condições semelhantes.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Compartilhe:

Newsletter

spot_imgspot_img

Popular

Leia mais
Veja também

Entenda o por quê 1 de abril é considerado o dia da mentira

O Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril,...

Você sabia? Todo ser humano carrega 0,2 miligramas de ouro no corpo

Embora pareça uma ideia retirada de um livro de...

Influencer Felipe Neto anuncia pré-candidatura à presidência, porém volta atrás e desiste; entenda

O influenciador digital Felipe Neto surpreendeu seus seguidores na...

Ator Van Damme é acusado de envolvimento em esquema de tráfico sexual de mulheres

O ator belga Jean-Claude Van Damme, de 64 anos,...